

Repórter Jota Anderson
A política é, por natureza, um espaço de ideias, de debates e, principalmente, de divergências. Em uma democracia saudável, ninguém é obrigado a concordar com tudo o que um político diz ou faz. Pelo contrário: questionar, fiscalizar e apresentar opiniões diferentes faz parte do papel de todo cidadão.
Ao longo dos anos, percebi que existem, de forma geral, dois tipos de políticos.
O primeiro é aquele que demonstra admiração enquanto você concorda com tudo o que ele fala. Enquanto você apenas elogia, aplaude suas ações e evita qualquer crítica, a relação é excelente. As mensagens chegam, as publicações recebem curtidas e a proximidade parece natural.
Já o segundo comportamento aparece quando você passa a pensar por conta própria. Basta apresentar uma opinião diferente, fazer uma observação ou questionar determinada decisão para que o tratamento mude completamente. As conversas diminuem, o contato desaparece e, muitas vezes, a pessoa passa a enxergá-lo de outra maneira.
Infelizmente, isso acontece porque alguns ainda confundem apoio com submissão. Para eles, quem discorda deixa de ser aliado e passa a ser visto como um adversário.
Depois que comecei a participar mais ativamente das discussões sobre a política local, isso aconteceu comigo. Alguns políticos se afastaram. Mas por quê? Simplesmente porque deixei de ser apenas alguém que elogia para me tornar alguém que observa, analisa e expressa suas próprias opiniões.
Nunca enxerguei isso como um problema. Pelo contrário.
Sou formado em Bacharelado em Administração Pública justamente porque acredito que uma cidade pode evoluir quando há participação, conhecimento e diálogo. O estudo me deu ainda mais consciência sobre a importância da gestão pública eficiente, da fiscalização e da participação popular.
Ter opinião não significa atacar pessoas. Questionar não é desrespeitar. Discordar não faz de ninguém inimigo.
O eleitor não precisa concordar com tudo o que um político diz. Precisa, sim, acompanhar, cobrar, fiscalizar e participar. Esse é um direito garantido em qualquer democracia.
Também acredito que não existe uma verdade absoluta na política. Existem diferentes visões sobre como enfrentar os problemas de uma cidade, de um estado ou de um país. O importante é que essas ideias possam ser debatidas com respeito, maturidade e responsabilidade.
Defender o direito de opinar é defender a própria democracia. Quando uma sociedade perde o espaço para o diálogo e passa a aceitar apenas elogios, todos perdem.
Por isso, deixo uma reflexão: tenha coragem de pensar, de estudar, de questionar e de formar suas próprias convicções. Não permita que sua opinião seja moldada apenas para agradar quem ocupa um cargo público.
A democracia não se fortalece com o silêncio. Ela cresce quando cidadãos livres participam, respeitam as diferenças e entendem que ninguém é dono da verdade.
Jota Anderson
Bacharel em Administração Pública, radialista e jornalista