

Por Jota Anderson, jornalista e formado em bacharel em Administração Pública
Quem já esteve dentro da câmara conhece bem essa realidade. Durante meu mandato como vereador em Casa Branca, na gestão de 2017, vivenciei na prática essas dificuldades — e, acima de tudo, a falta de transparência. Muitos requerimentos ficaram sem resposta, diversas solicitações não foram atendidas e, em vários momentos, o posicionamento político falou mais alto do que o interesse público.
Mais do que isso, em diversas ocasiões fui ignorado por pessoas de confiança do prefeito da época. Situações que, na prática, acabavam dificultando e até impedindo o andamento do meu trabalho como vereador. Esse tipo de postura impacta diretamente o mandato, pois limita a atuação de quem foi eleito justamente para representar a população.
Essa experiência não é um caso isolado. Ela reflete uma dinâmica comum na política municipal: a relação, muitas vezes tensa, entre o Executivo e o Legislativo.
Quando um prefeito é eleito, forma-se ao seu redor a chamada base governista, composta por vereadores que apoiam sua gestão, defendem seus projetos e, na maioria das vezes, votam favoravelmente às propostas enviadas à câmara.
Do outro lado, está a oposição. Vereadores que pensam diferente, que apoiaram outros candidatos e que exercem o papel fundamental de fiscalizar, questionar e, quando necessário, votar contra.
Mas a política também é marcada por mudanças.
Não é raro ver vereadores que, durante o período eleitoral, apoiaram outros candidatos, mas que, após o resultado das urnas, passam a apoiar o prefeito eleito. Essa mudança de lado acontece com frequência e, embora faça parte do jogo político, levanta questionamentos importantes por parte da população.
Diante desse cenário, surge uma reflexão inevitável: quando o executivo deixa de responder requerimentos ou ignora solicitações de vereadores, estamos diante de uma estratégia política… ou de uma falha no dever de transparência?
Afinal, o vereador — seja da base ou da oposição — representa a população. Quando não há resposta, não é apenas o parlamentar que é ignorado, mas toda a comunidade que ele representa.
O problema se agrava quando o alinhamento político passa a pesar mais do que o interesse público. Enquanto vereadores da base sustentam o executivo, muitas vezes até diante de questionamentos legítimos, parlamentares com posicionamentos diferentes enfrentam dificuldades para exercer plenamente seu papel fiscalizador.
Hoje, olhando para trás, fica ainda mais evidente que muitas das situações e alertas feitos naquela época acabaram se concretizando. No entanto, parte da população acabou não ouvindo essas críticas, muitas vezes influenciada por informações distorcidas sobre o trabalho realizado no Legislativo.
Não se trata de apontar culpados, mas de provocar uma reflexão necessária.
A política precisa de debate, de posições diferentes e até de divergências. Isso é saudável. Mas o que não pode se tornar normal é o silêncio institucional, a falta de resposta e o enfraquecimento do Legislativo.
No fim das contas, a população espera mais do que disputas políticas. Espera respeito, transparência e compromisso com aquilo que realmente importa: o interesse público.
Fica a reflexão.
Por Jota Anderson, jornalista e formado em bacharel em Administração Pública