

Repórter Jota Anderson
O número de vítimas de feminicídio no Brasil pode ser ainda maior do que o apontado oficialmente pelas estatísticas do governo.
É o que revela o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, produzido pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina. Segundo o estudo, o total real de casos é cerca de 38% superior ao divulgado pelos órgãos oficiais.
No último ano, foram registrados 6.904 casos entre feminicídios consumados e tentativas, o que representa um aumento de 34% em comparação ao ano anterior. No entanto, o levantamento aponta que a alta real chega a 38,8%, indicando mais de 600 vítimas além do número informado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
De acordo com os pesquisadores, os dados oficiais são alimentados pelos estados, o que pode contribuir para divergências. A principal explicação para a diferença seria a subnotificação, motivada tanto pela ausência de denúncias quanto pela falta de enquadramento correto dos casos como feminicídio no momento do registro policial.
Outro dado preocupante destacado no relatório mostra que, em 75% das ocorrências — entre casos consumados e tentativas — o agressor é ou já foi alguém do círculo de convivência íntima da vítima, reforçando o cenário de violência doméstica e familiar no país.