

Por: Vanderlei de Lima é eremita de Charles de Foucauld
Vez ou outra, volta à baila a ilha de Páscoa (Rapa Nui) – na Polinésia, mas pertencente ao Chile desde 1888 – e suas grandes e enigmáticas estátuas (moai). A questão de fundo no presente artigo é, portanto, a seguinte: Tais monumentos são obras de seres humanos ou de habitantes de outros planetas, como dizem alguns?
Em resposta à questão, nosso texto defende, à luz de bons pesquisadores dos séculos XX e XXI, que as estátuas da ilha de Páscoa são obras humanas dos próprios habitantes locais. Não há, pois, nenhuma intervenção de habitantes de outros planetas. Para confirmar isto, tenha a palavra William Mulloy, professor norte-americano dedicado à Arqueologia. Ele começou a pesquisar os monumentos da referida ilha em 1955, e, em 1973, concedeu uma célebre entrevista sobre o que descobrira. Além de afirmar que os habitantes da ilha de Páscoa vieram das ilhas Marquesas e edificaram as estátuas, explicou como elas foram transportadas até onde estão hoje. Diz ele com detalhes: “As estátuas eram talhadas na própria colina de origem vulcânica. Uma vez terminadas, eram atadas com cordas, e os artesãos as faziam escorregar até os buracos escavados na terra para as receber. Tendo penetrado no respectivo buraco, a estátua era erguida. Colocavam então à meia-altura de cada estátua uma armadura de madeira destinada a proteger o lado anterior ou frontal do monumento. A seguir, diante do buraco no qual a base da estátua pousava, os artesãos construíram um montículo de terra e faziam o monumento cair sobre o mesmo. Depois, retiravam a terra, de modo que a estátua ficava deitada sobre a face anterior, mas sempre protegida pela armadura de madeira que a cingia. Tratava-se então de transportar a estátua; para tanto, os artesãos serviam-se de um suporte de madeira em forma de V colocado com o vértice para cima. Da extremidade superior desse dispositivo saía uma corda que os pascoanos atavam ao ventre da estátua. Esta continuava a pousar por terra parcialmente apenas. Bastava fazê-la oscilar sobre o seu centro de gravidade para que se deslocasse aproximadamente um metro a cada manobra” (Pergunte e Responderemos n. 503, maio de 2004, p. 222).
Mais ainda: “A estátua chegava ao seu lugar de destino deitada sobre a armação de madeira e o ventre. Por meio de alavancas, era soerguida, de modo a se colocar debaixo dela uma plataforma de pedras. Sempre com o auxílio de pedras, a estátua era mais e mais erguida até chegar à posição definitiva. A base da estátua então devia ser levantada até a altura do pedestal respectivo, onde ficaria definitivamente exposta” (idem, pp. 222-223). A finalidade dessas estátuas era religiosa: postas à beira-mar, voltavam-se para o povo que lhes prestava algum tipo de culto pagão.
Roberto Peixoto, à luz de pesquisas norte-americanas recém-publicadas, diz que “esses monumentos gigantes foram talhados pelos habitantes de Rapa Nui (nativos polinésios da ilha) a partir de cerca do século 13. Estimativas arqueológicas apontam que a produção se estendeu por aproximadamente 500 anos, com um pico de atividade entre 1400 e 1600” (Estátuas da Ilha de Páscoa foram esculpidas por dezenas de grupos independentes, indica estudo inédito, G1, 26/11/2025, on-line).
Como se vê, nenhum estudioso sério dos nossos dias aponta para a intervenção misteriosa de habitantes de outros planetas (que é, aliás, altamente imaginária), mas explica, de modo satisfatório, a grande habilidade dos próprios pascoanos na confecção das estátuas da Ilha. Daí poder o professor Mulloy assegurar com firmeza: “Para mim – e esta é a minha conclusão – o mistério da ilha de Páscoa... é que não há mistério” (Pergunte e Responderemos, p. 223).
Eis como o estudo sério dissipa a fantasia que a ignorância (culpada ou inocente) sustenta na mente de não poucas pessoas. Estejamos atentos!
Por: Vanderlei de Lima é eremita de Charles de Foucauld.